Artrose, ou osteoartrite, é uma condição de toda a articulação. Ela pode envolver cartilagem, osso, membrana sinovial, ligamentos e músculos ao redor. É mais comum com o avanço da idade, mas não deve ser entendida como uma consequência inevitável que obriga a pessoa a conviver passivamente com dor e perda de movimento.
Imagem alterada não determina sozinha a intensidade da dor
Algumas pessoas apresentam alterações importantes na radiografia e pouca dor; outras têm limitação relevante com imagens menos chamativas. A relação entre estrutura e sintomas não é perfeita. Por isso, decisões devem levar em conta capacidade para caminhar, subir escadas, usar as mãos, dormir e realizar atividades significativas — não apenas palavras como “desgaste” ou “bico de papagaio” no laudo.
Exercício é parte central do tratamento
Fortalecimento e atividade aeróbica adaptados estão entre as principais recomendações das diretrizes. Músculos mais fortes melhoram estabilidade, absorção de carga e capacidade funcional. No início pode existir algum aumento transitório de desconforto; isso deve orientar ajustes de carga, não abandono automático.
Fortalecimento
Trabalha os músculos que sustentam e movimentam a articulação. Pode ser feito com peso corporal, faixas, aparelhos ou exercícios na água.
Atividade aeróbica
Caminhada, bicicleta, natação e outras opções ajudam condicionamento, sono, saúde cardiovascular e tolerância às atividades diárias.
Qual é o papel do peso corporal?
Quando existe excesso de peso, uma redução sustentável pode aliviar carga sobre joelhos e quadris e melhorar função. O foco não deve ser culpa nem dieta radical, mas mudanças possíveis associadas ao movimento. Pessoas com peso adequado também podem ter artrose e precisam de tratamento; a balança não explica tudo.
Medicamentos: alívio com avaliação de riscos
Anti-inflamatórios tópicos podem ser úteis em algumas articulações, com menor exposição sistêmica. Anti-inflamatórios por via oral exigem cuidado com pressão arterial, rins, estômago, coração e interações medicamentosas. Analgésicos podem ajudar em situações selecionadas, mas não recuperam força nem substituem o plano funcional.
Opioides não são uma solução rotineira para artrose devido ao equilíbrio desfavorável entre benefício e risco. Suplementos e produtos anunciados como “regeneradores de cartilagem” devem ser avaliados criticamente: a existência de propaganda ou depoimentos não equivale a benefício clínico consistente.
Infiltração resolve o problema?
Infiltrações podem ter papel em casos selecionados, especialmente para aliviar uma crise e facilitar a reabilitação. O benefício depende da articulação, do produto e do contexto. Elas não substituem fortalecimento nem garantem regeneração da cartilagem. Repetir procedimentos sem revisar diagnóstico, função e resposta anterior tende a produzir pouco ganho.
Quando pensar em cirurgia?
Cirurgia é considerada quando dor e limitação permanecem importantes apesar de tratamento não cirúrgico bem conduzido e quando o impacto na vida justifica riscos e recuperação. A decisão não deve ser baseada apenas na idade nem em uma radiografia “feia”. Ela envolve expectativas, comorbidades, objetivos e discussão compartilhada.
Um plano prático costuma combinar
- educação sobre a condição e metas funcionais mensuráveis;
- exercício adaptado, com progressão e regularidade;
- manejo do peso quando isso for relevante e desejado;
- medicamentos na menor exposição necessária e com revisão de riscos;
- recursos auxiliares, fisioterapia ou procedimentos quando indicados;
- reavaliação se o padrão mudar, houver inchaço importante ou sinais sistêmicos.